terça-feira, 26 de abril de 2016

Falcão diz que ficou surpreso com demissão do Sport


Paulo Roberto Falcão, que terminou o último Campeonato Brasileiro na 6ª posição comandando o Sport, diz não entender porque foi demitido do clube. Depois de perder peças importantes e buscar uma reformulação no início da temporada, a diretoria dispensou o comandante depois da eliminação diante do Campinense nas semifinais da Copa do Nordeste.



"Eu também não entendi muito, sinceramente. Por mais que eu tenha respeito pela diretoria do Sport, com quem tinha ótimo relacionamento. Também não entendi. Não saio feliz, porque acreditava que o time poderia render mais com mais tempo de entrosamento e formação. Eles crescerão no Campeonato Brasileiro. Fizemos 21 jogos em um período curto e não conseguíamos treinar. Mas eu sempre respeito as decisões. Não tenho que concordar com elas, mas a vida segue", disse Falcão em entrevista à Rádio Bandeirantes.




O treinador se mostrou preocupado com a cultura de demissões no futebol brasileiro: "Às vezes, um treinador é demitido quando não consegue resultados imediatos. Futebol não tem que ser assim. Muitos técnicos saem sem nenhuma explicação. Isso traz retrocesso. Quando você coloca um profissional, você precisa ter muita noção sobre ele. Eu achei que o Sport era um time diferente". Ao todo, Falcão comandou o Sport em 21 jogos neste ano, com 10 vitórias, quatro empates e sete derrotas.




Perguntado sobre a ausência de treinadores brasileiros na Europa, Falcão explicou sobre as questões culturais: "Somos caracterizamos por grande qualidade técnica e eles combatem isso com o estudo tático. Os garotos da base sabem distinguir posicionamento e treinam suas características para se adaptar. Quando joguei lá, meu treinador dizia que os brasileiros tinham que sair pelo mundo para ensinar fundamento. Eles eram muito fracos nisso. E, nos anos 80, ele já achava que entendíamos pouco de tática".




Falcão conta que até a seleção de 1982, que encantou o mundo na Copa do Mundo da Espanha, era questionada por conta da cultura tática: "Achavam que a gente tinha que jogar mais na defesa, segurando o resultado. Da mesma forma que muitos jogadores europeus, hoje, possuem uma técnica impressionante, os treinadores brasileiros também precisam se aperfeiçoar no exterior".


Entrevista foi concedida a Rádio Bandeirantes.

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